Os imigrantes são parte estrutural da economia da Filadélfia em todos os setores

Líderes do setor fornecem evidências tangíveis sobre o talento e a inovação que os imigrantes trazem para a força de trabalho da cidade.

Por Jensen Toussaint.

Ben Fileccia, Maria Praeli, Jennifer Rodriguez, Alain Joinville, Elizabeth Jones, Tracy Brala, e Jeff Hornstein.

Num momento de crescente preocupação e desafios devido à política federal de imigração em todo o país, é importante lembrar o quanto a economia da Filadélfia depende dos imigrantes.

Esse foi o ponto chave durante um painel de discussão em 29 de janeiro na Industrious, organizado pela Economy League of Greater Philadelphia em colaboração com a FWD.us.

A discussão reuniu líderes de uma ampla gama de setores — incluindo saúde, ensino superior, governo municipal, pequenas empresas e hospitalidade.

Cada painelista comentou a razão dos imigrantes serem fundamentais para o crescimento, competitividade e identidade da cidade.

Inovação, saúde e a vantagem dos imigrante

Tracy Brala, vice-presidente sênior de engajamento em ecossistema da Universidade City Science Center, disse que cerca de metade das empresas que o Science Center apoiou na última década foram fundadas ou co-fundadas por empreendedores nascidos no exterior.

“E o que vemos é que, muitas vezes, seus co-fundadores são originários dos Estados Unidos, então há essa sinergia real entre estrangeiros e organizações baseadas nos EUA”, disse ela, acrescentando que essa sinergia ajuda a acelerar a inovação.

Uma importante história local é a da Dra. Katalin Kariko, uma pesquisadora húngara que veio para a Filadélfia durante a década de 1980 e construiu sua carreira na Temple University e na Universidade da Pensilvânia - UPenn. Décadas depois, seu trabalho com a tecnologia de mRNA ajudou a salvar bilhões de vidas durante a pandemia de COVID-19 e acabou ganhando um Prêmio Nobel.

“Esses são os tipos de avanços que acontecem quando o talento tem permissão para se mover”, disse Brava. “Imigrantes estão traduzindo inovação em impacto.”

Em nível nacional, o padrão é ainda mais claro, já que quase 50% das empresas da Fortune 500 foram fundadas por imigrantes ou filhos de imigrantes.

Entre essas empresas estão a Ace Hardware e a Sirius XM Holdings.

Universidades trabalham com talentos

Poucas instituições ilustram os riscos que as políticas recentes de imigração apresentam de forma mais clara do que as universidades da Filadélfia.

Amy Gadsden, Ph.D., pró-reitora para iniciativas globais na Penn, disse claramente que o empreendimento das universidades se baseia em talentos.

“Recrutamos os melhores talentos não apenas da Filadélfia ou da Pensilvânia, mas de todo o mundo”, disse ela. “É assim que você se mantém uma instituição de pesquisa líder.”

Apenas na UPenn, existem cerca de 9.000 estudantes internacionais e quase 2.000 acadêmicos internacionais. Juntos, os estudantes internacionais contribuem com cerca de $1,3 bilhões anualmente para a economia da Filadélfia e ajudam a criar mais de 6.000 empregos locais.

Para manter o status de instituição acadêmica e lider em pesquisa, o talento imigrante é fundamental, afirma Amy Gadsden, Ph.D., da Penn Global.

Gadsden também observou que a cada três estudantes internacionais um emprego, em média, é criado. 

Ao contrário do que comumente disseminado, as universidades Ivy League, como a UPenn, não são financeiramente dependentes dos dólares das mensalidades internacionais, “mas somos dependentes do talento”, acrescentou Gadsden. “Isso é fundamental para nós.”

Com os últimos desdobramentos acerca da política de vistos nos Estados Unidos, um declínio no número de vistos levará a uma queda nas matrículas e no corpo docente. Isso, por sua vez, terá um efeito cascata na produção de pesquisa e, em última análise, derrubará a posição da universidade como uma instituição líder em pesquisa.

Com as matrículas internacionais já em queda em todo o país, Gadsden alertou que muitos estudantes internacionais buscarão frequentar universidades em nações mais estáveis e acolhedoras, como Canadá, Reino Unido e Austrália.

Hospitalidade, empreendedorismo e crescimento de pequenas empresas

Talvez não haja outra indústria que seja mais economicamente interdependente e visível para os imigrantes do que a hospitalidade. Os imigrantes representam uma parcela crítica da força de trabalho de restaurantes e hotéis da Filadélfia, e restaurantes de propriedade de imigrantes ancoram corredores comerciais por toda a cidade.

Ben Fileccia, vice-presidente sênior de estratégia e engajamento da Pennsylvania Restaurant & Lodging Association, enfatizou que a hospitalidade é um dos maiores setores de emprego tanto na cidade quanto no estado, bem como um dos mais dependentes da mão de obra imigrante.

Os imigrantes são uma contribuição fundamental em diversos setores da economia, sendo a hospitalidade um dos principais.

Vários eventos de visibilidade internacional estão programados para acontecer na Filadélfia em 2026, incluindo as festividades do 250º aniversário da cidade, a Copa do Mundo da FIFA de 2026 e o jogo All-Star da MLB.

No entanto, em meio a possíveis escassez de mão de obra, o medo e a incerteza permearam a cidade e suas comunidades.

“If we can’t keep our restaurants open, if we can’t keep our hotels open … I think this takes a big piece away from who we are as a city,” said Fileccia.

“Se não conseguirmos manter nossos restaurantes abertos, se não conseguirmos manter nossos hotéis abertos... acho que isso tira um grande pedaço de quem somos como cidade”, disse Fileccia.

Os imigrantes representam cerca de 20% da força de trabalho da cidade e contribuem com cerca de 23% da renda das empresas locais e da receita tributária.

Eles também abrem empresas a uma taxa aproximadamente três vezes maior do que a dos residentes nativos, tornando o empreendedorismo dentro das comunidades imigrantes outro fator chave na economia da cidade.

“Os imigrantes não são um fator secundário quando se trata de nossa economia. Eles são o motor principal”, disse Alain Joinville, diretor de comunicações estratégicas e programas do Escritório de Assuntos de Imigrantes da Filadélfia.

Embora existam corporações e grandes instituições que trazem muita receita para a cidade, Jennifer Rodriguez, presidente e CEO da Câmara de Comércio Hispânica da Grande Filadélfia, disse que “o mercado intermediário é onde os empregos são verdadeiramente criados, é o gerador real de crescimento”.

A Filadélfia tem uma carência desses empreendimentos.

O empreendedorismo é um caminho válido para a criação de riqueza, e a Câmara de Comércio Hispânica da Grande Filadélfia e o The Welcoming Center ajudam a iniciar e desenvolver esse caminho.

Uma proposta de 2025 para aumentar as taxas do visto H-1B para $100.000 adiciona ainda mais uma camada de dificuldade para estabelecer empresas desse tipo na Filadélfia.

“Então, o que estamos realmente fazendo é limitando a capacidade dessas empresas de serem inovadoras, de contratar, de serem realmente os contribuintes para a economia que queremos que sejam”, acrescentou Rodriguez.

O custo humano por trás dos números

O fator econômico é evidente, mas não é só isso. 

Elizabeth Jones, diretora de programas do The Welcoming Center, descreveu como a fiscalização da imigração e a instabilidade política criam não apenas perturbações econômicas, mas também custos humanos a longo prazo.

Por exemplo, se houver políticas desestruturando famílias e fazendo com que pessoas sejam detidas ou deportadas, isso pode impactar os empregos que alimentam nossa economia e também as próprias famílias.

Com a escassez de mão de obra em todos os setores, muitas empresas estão fazendo parceria com o The Welcoming Center para preencher as lacunas que só podem ser preenchidas pelas habilidades e talentos que muitos imigrantes possuem.

“Uma vez que você tem mão de obra com talento estrangeiro bastante sólido... então você tem um ecossistema que apoia o aprendizado para as pessoas novas que chegam”, disse Jones. “Isso cria muita inovação [e] maior produtividade porque você tem um monte de pessoas diferentes, com experiências, formações educacionais e idiomas diferentes, todas trabalhando juntas.”

“Os funcionários têm visto muitos benefícios em trabalhar com profissionais desse tipo”, continuou ela.

A Filadélfia ainda pode causar impacto

A Filadélfia não pode mudar a lei federal de imigração sozinha, mas a cidade pode decidir como responderá.

Os painelistas sugeriram medidas que poderiam ser tomadas: recrutar estudantes internacionais já autorizados a trabalhar por meio do treinamento prático opcional (OPT); investir em reconhecimento de credenciais e programas de requalificação; intensificar o desenvolvimento econômico que nasce nas comunidades imigrantes; e deixar totalmente claro que a Filadélfia permanece aberta ao talento global.

Os imigrantes não apenas contribuem para a economia da Filadélfia; eles são fundamentais devido às habilidades e talentos que trazem.

“Sem imigrantes, temos uma força de trabalho menor para impulsionar e apoiar nossos negócios localmente”, disse Joinville.

A Filadélfia permanece em posição de alavancar e reconhecer suas comunidades imigrantes como catalisadoras de sua economia, cultura e futuro.

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